21 set Vírus HPV

O HPV (human papiloma virus) é um vírus que possui mais de 200 variações genéticas e que infecta células epiteliais de peles e mucosas. A maioria dos subtipos causa lesões benignas, como verrugas, tanto as comuns como as genitais; no entanto, alguns subtipos, considerados de alto risco oncogênico, podem causar alguns tipos de cânceres, como o de colo de útero.

Sua principal forma de transmissão é a via sexual, sendo considerada a principal doença sexualmente transmissível (DST). A prevalência do vírus varia entre 30 a 50% na população feminina mundial e estima-se que cerca de 75% das mulheres contrairão o vírus em algum momento de suas vidas.

A maior incidência é na população feminina com menos de 25 anos, sendo que tem-se verificado um segundo pico de incidência por volta dos 40 anos, naquela parcela da população de mulheres divorciadas que retomam a vida sexual.

É importante frisar que ao redor de 80% das mulheres infectadas não apresentam qualquer sinal ou sintoma clínico e cerca de 60 a 70% das mulheres infectadas apresentarão emissão espontânea do quadro. Apenas 14% dos casos infectados evoluirão para lesões precursoras de câncer, chamadas lesões displásicas.

A principal forma de transmissão é a sexual, incluindo as chamadas “preliminares” e o sexo oral. Apesar de mais raro, também pode haver contaminação por meio do contato com toalhas, roupas íntimas e vaso sanitário.

Estes vírus, após o contágio, podem permanecer indolentes, adormecidos, sem causar lesão; causar verrugas em mãos, pés ou genitais (baixo potencial oncogênico); ou podem induzir o aparecimento de câncer.

Após a infecção, é necessário cerca de 2 a 8 meses para o aparecimento de lesões, sendo que este período de incubação pode chegar a até 20 anos. Apesar de a contaminação por HPV nos homens também ser frequente, a higiene genital masculina é obviamente mais fácil, além de o fato de qualquer lesão ser logo visualizada, por evidentes questões anatômicas.

Nas mulheres, o diagnóstico pode ser feito de duas formas, pela pesquisa direta do vírus ou de forma indireta por meio das alterações provocadas pela infecção nas células e nos tecidos.

O exame de rastreamento mais conhecido e mais facilmente realizado é a citologia oncológica cérvico-vaginal, o famoso exame Papanicolau. Nele analisa-se alterações celulares provocadas pelo HPV, por meio de uma amostra de células coletadas nas regiões do colo uterino e vagina. Não proporciona um diagnóstico definitivo.

Segue-se, então, para a colposcopia, que permite a visualização ampliada do colo uterino, da vagina e da vulva. Com a aplicação de alguns líquidos reagentes, pode-se flagrar lesões, permitindo a realização de biopsia dirigida a fim de se fazer uma análise histopatológica da amostra, onde analisa-se, microscopicamente, um pequeno fragmento de tecido proveniente da lesão.

Trata-se de um bom método, uma vez que sabidamente uma boa parcela das mulheres contaminadas é assintomática, não apresenta nenhum tipo de lesão causada pelo vírus e a maior parte apresenta remissão espontânea. Desta forma, consegue-se, além do diagnóstico, identificar a parcela de mulheres que devem ser submetidas a algum tipo de tratamento mais ativo.

Ainda podem ser realizados procedimentos (captura híbrida, PCR para HPV) capazes de identificar a presença do vírus, bem como discriminar seus principais subtipos infectantes, orientando o tratamento de acordo com a presença de subtipos de alto (16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68) ou baixo (6, 11, 42, 43 e 44) potencial oncogênico.

O tratamento tem como objetivo a redução e eliminação das lesões. Como a infecção subjacente às lesões geralmente se mantém, é frequente a ocorrência de recidivas, sendo fundamental manter o acompanhamento médico.

A escolha da melhor forma de tratamento deve ser individualizada e deve-se considerar a idade e paridade da paciente, a forma, localização e extensão das lesões. Existem basicamente três formas principais:

– Aplicação de agentes tópicos, que promovem a dissolução da camada de queratina e/ou morte das células lesionadas;

– Uso de imunomoduladores, substâncias que estimulam o sistema imunológico no combate à infecção;

– Procedimentos cirúrgicos, que consistem na remoção das lesões por meio de diversos processos como cirurgia de alta frequência, laserterapia e eletrocoagulação.

Para a prevenção do contágio, deve-se evitar comportamentos sexuais de risco, adotando o uso do preservativo como rotina. A vacina contra o HPV já uma realidade e confere uma boa proteção contra as infecções.

Independente da forma de prevenção usada, o diagnóstico e tratamento precoce das lesões permite abordagens menos invasivas. Como o HPV não causa sintomas, as consultas ginecológicas rotineiras são imprescindíveis para que estes objetivos sejam alcançados.

Dr. Luiz Flávio Cordeiro Fernandes
CRM 112085