21 set Tratamento da Dor

Entrevista com a Dra. Fabiola Peixoto Minson (CRM 90398)

Anestesiologista, profissional da Clínica Medicina da Mulher e diretora da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (Sbed), a Dra. Fabiola é uma das principais especialistas em tratamento da dor do Brasil.

1 – A Medicina da Dor tem ganhado cada vez mais espaço entre as especialidades médicas. Essa é uma área em franca evolução?

A Medicina de Tratamento da Dor surgiu após a segunda grande Guerra Mundial na cidade de Seattle, nos Estados Unidos, com a criação da IASP (Associação Internacional para Estudo da Dor) e da primeira clínica multidisciplinar para tratamento das dores coordenada pelo Dr. Bonica. No Brasil existe há aproximadamente 30 anos. Esta área está em franco desenvolvimento e evolução devido a descoberta de novos medicamentos e técnicas para aliviar qualquer tipo de dor.

2 – Que pessoas estão indicadas a procurar um especialista em dor?

Qualquer pessoa que sinta dores agudas ou crônicas que afetam sua qualidade de vida

3 – A dor é um mal necessário ou ela pode ser controlada ou até curada?

Nos casos de dores agudas, ou seja, aquelas decorrentes de uma cirurgia ou traumatismo (ex.: uma pancada), a dor pode ser curada, ou seja, completamente aliviada com técnicas mais simples.

Nos casos de dores crônicas preferimos usar a palavra controle ao invés de cura. A dor faz parte da existência humana e todos nós sentiremos dor em alguns momentos de nossas vidas. De qualquer forma, ela não pode ser intensa e prejudicar nossas atividades diárias. O controle da dor crônica pode ser até de 100%, mas, em alguns casos, uma melhora de 80%  ou 90% é considerada muito satisfatória pelo paciente.

4 – Nas mulheres quais são as queixas mais frequentes? A dor pélvica crônica é uma das queixas mais recorrentes?

Nas mulheres as dores mais frequentes são dores de cabeça, dores nas costas e dores pélvicas.

A dor pélvica crônica é bastante prevalente, principalmente nas mulheres em idade entre 20 e 50 anos, e pode causar desconforto na menstruação, durante ou após as relações sexuais, nas evacuações,  ou dores independentes dos itens mencionados anteriormente.

5 – O campo da dor envolve outras áreas, como a medicina reprodutiva, sexualidade, psicologia, entre outras. É importante, portanto, uma abordagem multidisciplinar para esses pacientes?

Todas as pacientes com dores pélvicas têm mais chance de sucesso se forem avaliadas de forma multidisciplinar. A combinação de vários tratamentos tem mais efeitos do qualquer um deles feito de forma isolada. Combinamos medicamentos adequados para o alívio da dor com atividades físicas, acupuntura, técnicas específicas de fisioterapia, além da psicologia.

6 – Quais são os avanços mais importantes nessa área, no diagnóstico, tratamento, ou na utilização de métodos não invasivos? 

O tratamento deve ser feito de forma individualizada e cada mulher necessita de um tratamento diferente de outra pessoa. Como avanço podemos citar a Medicina Intervencionista da Dor para bloquear de forma temporária ou permanente os nervos que levam a dor para o cérebro.

7 – A dificuldade em fazer o diagnóstico correto da origem ou causas da dor é um dos principais fatores que levam as pessoas a sofrerem por tempo prolongado com dores crônicas?

Toda dor crônica (maior que 3 meses) é a própria doença da paciente. A busca incessante por uma  causa pode até piorar as dores. Devemos tratar a dor em conjunto com a busca e o tratamento da causa, quando possível.

8 – Por que há essa dificuldade na identificação e diagnóstico da dor crônica?

Não existe um termômetro ou um “dolorímetro” para diagnosticar quem tem ou não tem dor de verdade. A dor é uma experiência desagradável e é definida como o que o paciente diz ser e ocorre quando ele diz sentir.

O fato das pessoas não acreditarem na dor causa dificuldade na identificação e diagnóstico da mesma.

9 – Quando os pacientes chegam até você estão em um estágio já avançado da doença?

O ideal é uma consulta precoce com um especialista em dor. Não devemos atender apenas casos avançados. A rapidez na procura pelo médico da dor torna o tratamento mais eficaz. A demora na busca pelo profissional pode exacerbar o que chamamos de “memória da dor”.

10 – Quais são os resultados dos tratamentos promovidos pelos especialistas na área da dor?

Os resultados são excelentes quando existe participação ativa do paciente no tratamento, ou seja, parceria com a equipe multidisciplinar

11 – Qual a melhora que pacientes com endometriose, por exemplo, apresentam após a consulta com o especialista em dor?

A melhora consiste nos vários aspectos da qualidade de vida da mulher tratada com endometriose pelo ginecologista em conjunto com o especialista em tratamento de dor. Isto reflete em melhora das atividades físicas, sexuais, emocionais e sociais.