21 set Sexualidade na Terceira Idade

Dr. Carlos Ricardo Doi Bautzer é especialista em Urologia e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia.

Os diversos aspectos da vida moderna trouxeram como consequência o aumento da exposição a fatores progressivamente maiores de estresse e cobranças pessoais. A consequência é o evidente aumento de várias doenças, com destaque para as cardiovasculares. Em contrapartida, a preocupação com a saúde e a busca por exames de check up começa a se tornar realidade para indivíduos em idades mais precoces do que antigamente. Desta maneira, estatísticas atuais demonstram que a expectativa de vida em todo o mundo está aumentando.

Entretanto, tal envelhecimento deve ser vivido com qualidade, através da prática de exercícios físicos adequados e da manutenção de uma boa saúde, inclusive no aspecto sexual.

Atualmente, o tema sexualidade vem recebendo crescente atenção, tanto da literatura médica como dos meios de comunicação. Historicamente, a partir dos anos 50 a publicação de estudos com foco no comportamento sexual iniciou a discussão deste tema. Em seguida, o advento das pílulas anticoncepcionais e da liberação sexual nos anos 70 aumentou o enfoque neste assunto.

O passo mais importante para a abertura do tema sexualidade para o grande público e para a mídia foi o surgimento de medicações que melhoraram o desempenho sexual masculino de forma eficiente, a partir do final dos anos 80.

Desde então, homens e mulheres de faixas etárias mais elevadas têm a oportunidade de manter sua vida sexual. Porém, para que isso aconteça, precisam enfrentar novos desafios em condições diferentes das que estavam habituados, o que inclui uma possível queda na autoestima e a tendência à solidão, fatores que afetam negativamente sua vida sexual.

Em nossa sociedade ocidental, a sexualidade de pessoas mais idosas é, muitas vezes, ridicularizada ou desconsiderada, como se ao envelhecer deixássemos de sentir desejo sexual ou não tivéssemos mais esse direito. Aprova-se o fato de pessoas idosas andarem de mãos dadas e trocarem olhares de ternura, porém a vivência sexual é, na maioria dos casos, tema de piadas, sarcasmo e até mesmo de reprovação.

Por questões culturais, esta visão preconceituosa muitas vezes é compartilhada pelos próprios idosos, que parecem acreditar que a atividade sexual termina em determinada idade e que a busca de alguma atividade erótica não é normal, mas sim uma espécie de perversão. O que não é verdadeiro.

Estudos demonstram que a vida sexual dos idosos é mantida por até 74% dos homens casados com mais de 60 anos mantendo-se sexualmente ativos e, entre as mulheres, por duas entre sete mulheres casadas tendo relações com seus maridos.

Os desafios enfrentados por ambos os sexos durante o processo de envelhecimento são evidentes. Nos homens, com o avançar da idade, ocorre diminuição gradual da libido e do desejo sexual. Estas alterações estão associadas à queda dos níveis de testosterona, que ocorre a partir de 5ª década. Nesta faixa etária pode ocorrer uma síndrome denominada DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino) caracterizada pela queda dos níveis de testosterona – confirmada laboratorialmente – e acompanhada de outros sintomas, como diminuição da massa muscular, queda de desejo, depressão, alterações de humor e perda de peso. Nestas ocasiões, a reposição hormonal pode melhorar não somente a sexualidade destes homens, mas também a qualidade de vida em geral, com o desempenho mental e no trabalho. Devemos atentar para alguns pacientes nos quais tal reposição é contra-indicada, como em portadores de câncer de próstata. Outras contra-indicações relativas – como aumento benigno da próstata com muitos sintomas urinários ou apnéia do sono – podem ser tratadas concomitantemente à queda hormonal.

O uso de medicações para melhorar a ereção nos homens não é contra-indicado desde que uma avaliação médica seja previamente realizada. Nesta consulta, a condição cardiológica é verificada e todos os medicamentos utilizados por estes pacientes são analisados. Alguns, como os nitratos, são contra-indicados, pois podem afetar os níveis de pressão quando utilizados em associação.

Entre as mulheres, o início da menopausa e a queda dos hormônios femininos levam ao ressecamento da mucosa vaginal e, consequentemente, dor no momento da relação sexual. Este fato pode levar a diminuição do interesse e da procura pelo parceiro. Associadamente, a maior tendência a depressão e doenças cardiovasculares podem comprometer o desempenho sexual destas pacientes. Com o devido acompanhamento médico, a reposição hormonal e a utilização de lubrificantes vaginais podem amenizar tais sintomas, possibilitando uma vida sexual mais saudável e prazerosa. Vale ressaltar que a presença de cânceres de mama e ovário contra-indica o uso deste tipo de reposição.

É importante destacar que nesta faixa etária os indivíduos podem apresentar outras doenças associadas, que afetam o desempenho e o próprio ato sexual. Diante disto, uma avaliação global com destaque para a função cardiovascular deve ser sempre realizada visando melhorar o relacionamento sexual sem ocasionar qualquer risco a estes pacientes.

Em conclusão, apesar dos aspectos negativos que a vida moderna possa ter nos trazido, a busca pela saúde deve ser cada vez mais estimulada, incluindo todos os aspectos de nossa saúde física e mental.

Sexualidade na Terceira Idade

Dr. Carlos Ricardo Doi Bautzer é especialista em Urologia e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia.

Os diversos aspectos da vida moderna trouxeram como consequência o aumento da exposição a fatores progressivamente maiores de estresse e cobranças pessoais. A consequência é o evidente aumento de várias doenças, com destaque para as cardiovasculares. Em contrapartida, a preocupação com a saúde e a busca por exames de check up começa a se tornar realidade para indivíduos em idades mais precoces do que antigamente. Desta maneira, estatísticas atuais demonstram que a expectativa de vida em todo o mundo está aumentando.

Entretanto, tal envelhecimento deve ser vivido com qualidade, através da prática de exercícios físicos adequados e da manutenção de uma boa saúde, inclusive no aspecto sexual.

Atualmente, o tema sexualidade vem recebendo crescente atenção, tanto da literatura médica como dos meios de comunicação. Historicamente, a partir dos anos 50 a publicação de estudos com foco no comportamento sexual iniciou a discussão deste tema. Em seguida, o advento das pílulas anticoncepcionais e da liberação sexual nos anos 70 aumentou o enfoque neste assunto.

O passo mais importante para a abertura do tema sexualidade para o grande público e para a mídia foi o surgimento de medicações que melhoraram o desempenho sexual masculino de forma eficiente, a partir do final dos anos 80.

Desde então, homens e mulheres de faixas etárias mais elevadas têm a oportunidade de manter sua vida sexual. Porém, para que isso aconteça, precisam enfrentar novos desafios em condições diferentes das que estavam habituados, o que inclui uma possível queda na autoestima e a tendência à solidão, fatores que afetam negativamente sua vida sexual.

Em nossa sociedade ocidental, a sexualidade de pessoas mais idosas é, muitas vezes, ridicularizada ou desconsiderada, como se ao envelhecer deixássemos de sentir desejo sexual ou não tivéssemos mais esse direito. Aprova-se o fato de pessoas idosas andarem de mãos dadas e trocarem olhares de ternura, porém a vivência sexual é, na maioria dos casos, tema de piadas, sarcasmo e até mesmo de reprovação.

Por questões culturais, esta visão preconceituosa muitas vezes é compartilhada pelos próprios idosos, que parecem acreditar que a atividade sexual termina em determinada idade e que a busca de alguma atividade erótica não é normal, mas sim uma espécie de perversão. O que não é verdadeiro.

Estudos demonstram que a vida sexual dos idosos é mantida por até 74% dos homens casados com mais de 60 anos mantendo-se sexualmente ativos e, entre as mulheres, por duas entre sete mulheres casadas tendo relações com seus maridos.

Os desafios enfrentados por ambos os sexos durante o processo de envelhecimento são evidentes. Nos homens, com o avançar da idade, ocorre diminuição gradual da libido e do desejo sexual. Estas alterações estão associadas à queda dos níveis de testosterona, que ocorre a partir de 5ª década. Nesta faixa etária pode ocorrer uma síndrome denominada DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino) caracterizada pela queda dos níveis de testosterona – confirmada laboratorialmente – e acompanhada de outros sintomas, como diminuição da massa muscular, queda de desejo, depressão, alterações de humor e perda de peso. Nestas ocasiões, a reposição hormonal pode melhorar não somente a sexualidade destes homens, mas também a qualidade de vida em geral, com o desempenho mental e no trabalho. Devemos atentar para alguns pacientes nos quais tal reposição é contra-indicada, como em portadores de câncer de próstata. Outras contra-indicações relativas – como aumento benigno da próstata com muitos sintomas urinários ou apnéia do sono – podem ser tratadas concomitantemente à queda hormonal.

O uso de medicações para melhorar a ereção nos homens não é contra-indicado desde que uma avaliação médica seja previamente realizada. Nesta consulta, a condição cardiológica é verificada e todos os medicamentos utilizados por estes pacientes são analisados. Alguns, como os nitratos, são contra-indicados, pois podem afetar os níveis de pressão quando utilizados em associação.

Entre as mulheres, o início da menopausa e a queda dos hormônios femininos levam ao ressecamento da mucosa vaginal e, consequentemente, dor no momento da relação sexual. Este fato pode levar a diminuição do interesse e da procura pelo parceiro. Associadamente, a maior tendência a depressão e doenças cardiovasculares podem comprometer o desempenho sexual destas pacientes. Com o devido acompanhamento médico, a reposição hormonal e a utilização de lubrificantes vaginais podem amenizar tais sintomas, possibilitando uma vida sexual mais saudável e prazerosa. Vale ressaltar que a presença de cânceres de mama e ovário contra-indica o uso deste tipo de reposição.

É importante destacar que nesta faixa etária os indivíduos podem apresentar outras doenças associadas, que afetam o desempenho e o próprio ato sexual. Diante disto, uma avaliação global com destaque para a função cardiovascular deve ser sempre realizada visando melhorar o relacionamento sexual sem ocasionar qualquer risco a estes pacientes.

Em conclusão, apesar dos aspectos negativos que a vida moderna possa ter nos trazido, a busca pela saúde deve ser cada vez mais estimulada, incluindo todos os aspectos de nossa saúde física e mental.

Dr. Carlos Ricardo Doi Bautzer
CRM 90759