21 set Os exames que toda gestante deve fazer

Os exames laboratoriais solicitados durante o pré-natal têm grande importância na detecção e prevenção de alterações. A seguir, serão descritos os principais exames solicitados na rotina pré-natal.

1 – Tipagem sanguínea

A solicitação de tipagem sanguínea adquire fundamental importância na determinação do fator Rh. Se a gestante for Rh negativo e o marido Rh positivo, existe a probabilidade de 50% dos fetos serem Rh positivos e, dessa forma, poderia ocorrer sensibilização da mãe pelas células fetais Rh positivo. A sensibilização materna leva à produção de anticorpos que irão destruir as hemácias fetais. Ainda que a sensibilização seja infrequente na primeira gestação, gestantes Rh negativo (não sensibilizadas) cujos maridos sejam Rh positivo devem receber imunoglobulina anti-D (“vacina anti-Rh”) por volta de 28 semanas de gestação e após o nascimento se o recém-nascido for Rh positivo.

2 – Hemograma completo

Este exame fornece, principalmente, a concentração de hemoglobina, leucócitos e plaquetas. Em virtude do maior aumento do volume sanguíneo na gravidez, ocorre a chamada “anemia fisiológica da gravidez”. Contudo, valores de hemoglobina abaixo de 11g/dL devem ser considerados como indicativos de anemia, que deverá ser tratada conforme sua etiologia.

3 – Urina tipo I e Urocultura

A urina tipo I avalia as características gerais da urina e também a presença de elementos anormais. Na presença de Urina I alterada ou presunção de infecção urinária, deve-se solicitar a cultura de urina (urocultura). Na presença de doenças maternas que predispõem à infecção urinária (diabetes, malformações do sistema urinário) deve-se solicitar a urocultura de forma periódica.

4 – Sorologias

Deve-se solicitar as sorologias para as principais infecções congênitas, como a sífilis, HIV, citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola e hepatite A,B,C. As sorologias devem ser solicitadas no primeiro trimestre e, quando negativas, devem ser repetidas no terceiro trimestre da gravidez.

5 – Parasitológico de fezes

Ainda que não seja exame fundamental no pré-natal, muitas anemias gestacionais podem ser ocasionadas por parasitoses intestinais. Muitos parasitas podem ser tratados durante a gravidez, mas deve-se evitar o primeiro trimestre para efetuar o tratamento.

6 – Colpocitologia Oncológica

A colpocitologia oncológica, também conhecida como exame preventivo ou de Papanicolau, deve ser colhida já na primeira consulta pré-natal. Se houver necessidade, o exame pode ser complementado por colposcopia.

7 – Rastreamento do Diabetes Melito

Solicita-se glicemia de jejum para todas as gestantes na primeira consulta de pré-natal. Para gestantes de baixo risco para diabetes e com glicemia de jejum normal, deve-se realizar teste de tolerância oral à glicose com 75 gramas, entre 24 e 28 semanas de gestação.

8 – Ultrassonografia

A ultrassonografia é exame fundamental no acompanhamento da gestação. A primeira ultrassonografia deve ser realizada entre seis a oito semanas de gravidez. Neste primeiro exame, é possível determinar: a localização da gravidez e dessa forma excluir a gestação ectópica (“gravidez fora do útero”), o número de embriões (gestação única ou múltipla) e a vitalidade da gestação por meio da observação dos batimentos cardíacos. Entre 11 e 13 semanas de gravidez, realiza-se o ultrassom morfológico de primeiro trimestre. O principal objetivo é o rastreamento da Síndrome de Down pelas medidas da translucência nucal (quantidade de líquido na nuca do feto) e do osso nasal. Entre 20 a 22 semanas de gestação, realiza-se o exame ultrassonográfico morfológico de segundo trimestre, que tem por objetivo avaliar as diversas estruturas anatômicas do bebê. Entre 28 e 34 semanas de gravidez, pode-se, por meio da ultrassonografia, avaliar crescimento e peso fetal, o volume de líquido amniótico e a maturidade placentária. Perto do parto, caso haja necessidade, pode-se realizar exames que avaliam a oxigenação do feto e seu bem-estar (Dopplervelocimetria e Perfil Biofísico Fetal).

9 – Cultura para Streptococcus agalactiae

Cerca de 10 a 20% das gestantes apresentam positividade na vagina ou no ânus para o Streptococcus agalactiae. Infelizmente, esta bactéria pode ocasionar grave infecção no recém-nascido. Dessa forma, preconiza-se, por volta de 35 semanas de gestação, a pesquisa desta bactéria por meio de coleta vaginal e anal. Caso seja detectada, deve-se instituir tratamento com penicilina ou derivados. O tratamento é eficaz e totalmente inócuo para o recém-nascido.

Dr. Pedro Paulo Pereira
CRM 44474