21 set Exames de ultrassom mais indicados para mulheres na menopausa

Dr. Leandro Accardo é especialista em imagem do abdome
Dr. Manoel Orlando da Costa Gonçalves é especialista em radiologia e ultra-sonografia.

Existem dois grandes grupos de pacientes que vão a uma clínica fazer exames de imagem: os que são assintomáticos e estão fazendo exames preventivos, e aqueles que têm algum sintoma ou doença conhecida que necessite de acompanhamento.

Além dos exames preventivos habituais e obrigatórios que a mulher na menopausa (por volta dos 50 anos) realiza, tais como: laboratório, colposcopia, colonoscopia e mamografia, o médico assistente da paciente pode solicitar avaliações ultrassonográficas que contribuem para um acompanhamento mais completo e seguro.

Os exames ultrassonográficos mais comumente realizados para este grupo são:

– Ultrassom pélvico e transvaginal: através deste método o médico avalia o útero, o endométrio e os ovários. Estes órgãos são sede frequente de doenças benignas, tais como: miomas (fibromas), pólipo de endométrio, cistos de ovário, etc., que são diagnosticadas com bastante eficiência pelo ultrassom.

Após os 50 anos aumenta a incidência de doenças malignas de endométrio e de ovário, e o ultrassom realizado por profissional experiente pode diagnosticar estas doenças numa fase inicial, aumentando a possibilidade de cura ou sobrevida e qualidade de vida melhores.

– Ultrassom das mamas: mais comumente usado como um exame para rastreamento de nódulo em pacientes em idade reprodutiva, que apresentem mamas mais densas.

Nas pacientes menopausadas sua principal indicação é avaliar nódulos vistos nas mamografias. Este exame pode definir qual a característica deste nódulo, se o seu componente é sólido ou líquido. Caso haja suspeita de malignidade pode também guiar a punção, que definirá a conduta.

Muitos ginecologistas para agilizar a avaliação da mama já pedem simultaneamente a mamografia com o ultrassom no rastreamento de câncer.

A mamografia é obrigatória nas pacientes acima de 40 anos porque o ultrassom não é capaz de detectar microcalcificações, que, em alguns casos, podem ser o único sinal de um tumor maligno.

– Ultrassom de abdome: permite a avaliação do fígado, vesícula biliar, aorta, pâncreas e rins.

As principais indicações são na detecção de cálculos renais e da vesícula biliar, além de nódulos benignos ou cistos do fígado (o mais comum é o hemangioma) e dos rins.

Pacientes com alterações digestivas ou dores abdominais a esclarecer tem indicação de realizar um ultrassom de abdome total para rastreamento.

Nos casos de cálculos renais pode-se dimensioná-los e determinar a sua localização, permitindo ao clínico definir se há necessidade de tratamentos mais complexos, como por exemplo, a litotripsia (fragmentação dos cálculos com ondas de choque).

Considerando-se que a maioria das doenças neoplásicas inicia-se após os 40/ 50 anos, é neste grupo etário, incluindo as pacientes menopausadas, que podemos atuar preventivamente com maior eficácia. O objetivo de se fazer os exames preventivos é, fundamentalmente, diagnosticar algum eventual tumor em fase inicial, propiciando uma chance maior de cura. Quando os tumores causam sintomas, normalmente são maiores e mais infiltrativos, diminuindo as chances de um tratamento que leve à cura completa.

Também é possível visualizar e, eventualmente, diagnosticar doenças do trato digestivo (estomago, intestino, apêndice etc.), mas na maior parte dos casos será necessário um exame complementar especifico, como por exemplo, colonoscopia e endoscopia digestiva alta para definir o diagnóstico e tratamento.

– Ultrassom da tiróide: Nódulos de tiróide são muito comuns e afetam mais frequentemente as mulheres (cerca de 10%). Na maior parte dos casos são benignos, mas existem também os malignos, que se diagnosticados e tratados adequadamente são totalmente curáveis. Esses nódulos malignos não afetam a função da glândula, portanto os exames de sangue não ajudam a diagnosticá-los.

Exceto nos casos em que os nódulos são palpáveis, não é possível predizer clinicamente se a paciente possui um nódulo tiroideano. Com a ultrassonografia da tiróide é possível identificar estas alterações e, se houver algum nódulo suspeito, usa-se o ultrassom para dirigir uma punção aspirativa com agulha fina, que definirá se há ou não necessidade de cirurgia.

Também se pode utilizar o ultrassom para avaliar as doenças difusas que, em alguns casos, causam hipotiroidismo (tiroidite de Hashimoto) ou hipertiroidismo (Doença de Graves).

Comentários finais

O ultrassom é um método de imagem prático e eficiente na avaliação de muitos órgãos e patologias, devendo ser utilizado como primeiro método de investigação principalmente nas pacientes menopausadas, que pertencem a um grupo etário de maior risco, tanto de doenças benignas quanto malignas.

Quando só o ultrassom não é suficiente para esclarecer as dúvidas diagnósticas devem-se realizar métodos complementares, tais como ressonância magnética, tomografia computadorizada e outros, mas em boa parte dos casos isso não será necessário.

Na avaliação das mamas de pacientes menopausadas, é obrigatória a utilização concomitante da mamografia digital.

Em todos os casos, a indicação dos exames necessários deve ser sempre antecedida pela avaliação clínica de um profissional experiente.

Dr. Leandro Accardo
CRM 105291

Dr. Manoel Orlando da Costa Gonçalves
CRM 39674