21 set Exames de Imagem

Dr. Manoel Orlando da Costa Gonçalves é médico radiologista especializado em radiologia e ultrassonografia.

Histórico

Apesar da endometriose ter sido reconhecida pela Medicina a partir do final do século XIX, até cerca de 10 anos atrás o único método que se conhecia para confirmar a doença era o cirúrgico: inicialmente, a laparoscopia (cirurgia aberta convencional) e depois a videolaparoscopia (cirurgia com pequenas incisões no abdome e uso de câmeras de alta resolução).

Em busca de um diagnóstico não invasivo, utilizou-se inicialmente o ultrassom como único método diagnóstico – basicamente para avaliação do ovário. Mas não se deve esquecer que essa doença pode atingir vários órgãos do abdome (ex.: intestino e bexiga), e até mesmo alguns órgãos distantes, como o tórax, por exemplo. A partir de 1998 começaram a ser publicados alguns trabalhos mostrando a eficácia do ultrassom por via retal (transretal ou ecocolonoscopia) para o diagnóstico da endometriose intestinal. Em 2004 nosso grupo publicou um artigo sobre este método demonstrando sua alta eficiência na avaliação da endometriose intestinal do reto e do sigmóide (intestino grosso).

No entanto, além do óbvio desconforto que pode causar, se não for usada sedação o ultrassom via retal não é eficiente para o estudo de focos de endometriose que estejam longe do intestino. Por isso, começaram a ser desenvolvidas novas técnicas com ressonância magnética.

No inicio a ressonância se mostrou extremamente eficiente na avaliação do ovário, mas as imagens ainda não eram suficientemente detalhadas para diagnosticar a endometriose em outros locais. Só a partir do século XXI a ressonância evolui de forma a permitir o diagnóstico da endometriose intestinal e retrocervical (atrás do útero).

A partir de 2002 começamos a desenvolver uma técnica para detectar os focos de endometriose no intestino e nos demais órgãos através do ultrassom pélvico e transvaginal.

Atualidade

A partir dos trabalhos publicados pelo nosso grupo e por outros autores – principalmente os franceses, em 2003 e 2007 –, começou a ficar claro que o método de primeira escolha (e em muitos casos, o único necessário para fazer o diagnóstico e localizar todos os focos principais de endometriose) é o ultrassom pélvico e transvaginal com preparo intestinal. Esse ultrassom deve ser realizado com um protocolo específico e por um profissional especialmente treinado. Nos casos mais complexos realiza-se também o ultrassom das vias urinárias (rins, bexiga e ureteres) e a ressonância magnética com protocolos específicos para endometriose.

Devido ao amplo desenvolvimento dos métodos de diagnóstico não invasivo, esses ultrassons se tornaram indispensáveis para a avaliação de todas as pacientes com suspeita clínica de endometriose. Cruzando o histórico da paciente e os dados obtidos com o toque vaginal é possível decidir qual o melhor caminho em cada caso. Caso a conduta seja cirúrgica, os métodos de diagnóstico por imagem ajudam a planejar qual a melhor técnica a ser utilizada e qual equipe deve ser montada para que em um único procedimento seja possível retirar todos os focos da endometriose, doença que aflige cerca de seis milhões de brasileiras.

Dr. Manoel Orlando da Costa Gonçalves
CRM 39674