21 set Estresse e Saúde

Sílvia Leão Souza é médica endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

“Stress” significa pressão, tensão. A vida moderna constantemente nos submete a pressões. O estresse pode ser físico (ex: doenças), emocional (ex: tristeza) ou psicológico (ex: medo). Indivíduos diferentes têm capacidades diferentes de lidar com o estresse, que geralmente depende de sua saúde geral e da forma de encarar um problema.

Algumas pessoas usam a comida, a bebida ou o cigarro como forma de fugir do estresse. Também podem reduzir a prática de atividades físicas. Entretanto, essas “fugas” só aumentam ainda mais os efeitos negativos do estresse no organismo.

Nosso organismo responde ao estresse, seja ele agudo ou crônico, através da ativação de vários eixos hormonais e processos inflamatórios. A resposta mais conhecida ao estresse agudo é a reação de “luta ou fuga”, que ocorre quando o indivíduo sente-se ameaçado. Nessa situação, são liberados vários hormônios do estresse, entre eles o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios aumentam a concentração, a habilidade para reagir e a força. Também exercem efeitos no coração, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Depois de encerrada a situação de ameaça, o organismo volta ao normal.

O grande problema é o estresse crônico. Se o indivíduo está constantemente submetido a situações estressantes, não há tempo do organismo se recuperar e esses hormônios permanecem elevados no sangue, causando vários problemas à saúde.

Problemas de saúde relacionados ao estresse:

1. Sistema digestivo: dores de estômago causadas pela redução no tempo de esvaziamento gástrico; diarréia devido ao aumento da atividade do cólon.

2. Obesidade: aumento no apetite, levando ao aumento de peso. O aumento de peso que chega a causar sobrepeso ou obesidade eleva o risco de doenças cardiovasculares e diabetes.

3. Sistema imune: enfraquecimento das respostas imunológicas, tornando o indivíduo mais propenso a resfriados e outras infecções.

4. Sistema nervoso: ansiedade, depressão, perda de sono e perda do interesse em atividades físicas. Também pode haver comprometimento da memória e da capacidade de tomar decisões.

5. Sistema cardiovascular: aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e dos níveis de gorduras no sangue (colesterol e triglicérides). Também pode ocorrer aumento dos níveis de açúcar do sangue e aumento de apetite, especialmente no final da tarde. Todas essas alterações são fatores de risco para doenças cardíacas, aterosclerose, derrame, obesidade e diabetes.

Algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir os efeitos crônicos do estresse e com isso melhorar a saúde e o bem-estar geral. Exercícios físicos moderados regulares melhoram a disposição e o humor; técnicas de relaxamento, uma boa noite de sono e a busca por apoio emocional da família e de amigos também ajudam. Também é possível reduzir os efeitos do estresse crônico a longo prazo mantendo uma alimentação saudável – pobre em gorduras – e evitando o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Em situações extremas, algumas medicações podem ajudar na fase inicial do tratamento do estresse.

Dra. Sílvia Corral de Arêa Leão Souza
CRM 82333