21 set Entenda a endometriose

A endometriose é uma doença de difícil diagnóstico. As mulheres que sofrem com ela, por vezes, demoram anos até encontrar um profissional especializado para iniciar o tratamento adequado. Nesta entrevista com Dr. Maurício Abrão, CRM 52842, saiba um pouco mais sobre a endometriose e tire suas dúvidas se é hora de procurar um especialista.

Sentir cólicas menstruais é normal?

Cólicas leves podem ser normais. Cólicas importantes, severas, incapacitantes, não são e a mulher deve procurar orientação médica.

Sentir dores durante a relação sexual é sinal de endometriose?

É um dos sintomas mais importantes da doença, principalmente se a dor ocorrer quando o pênis encosta no fundo da vagina.

Quantos tipos de endometriose existem?

Em geral há a doença superficial (que compromete apenas o peritônio, tecido que reveste a cavidade abdominal), a doença ovariana (que forma os cistos de ovário com endometriose) e a doença profunda (que infiltra ligamentos, bexiga urinária, intestinos etc).

Endometriose e cisto no ovário são a mesma coisa?

Não. Cistos no ovário podem ocorrer em várias situações. Mas a endometriose pode promover um tipo de cisto específico de ovário com sangue dentro (conhecido como “cistos chocolate”).

Pílula anticoncepcional causa endometriose?

Não. A pílula, inclusive, pode tratar a dor relacionada à doença, mas não é a causa da doença.

Quando a cirurgia é considerada no tratamento da endometriose?

Há várias situações nas quais a cirurgia pode ser indicada, como em pacientes com sintomas exuberantes, infertilidade com falhas de fertilizações in vitro, cistos de endometriose grandes nos ovários e lesões obstrutivas no trato urinário e intestinal.

Há métodos não cirúrgicos para o diagnóstico da doença?

Sim. Exames de imagem como o ultrassom especializado em endometriose (com preparo intestinal) podem levar ao diagnóstico em 98% dos casos de doença que compromete o intestino e 95% das endometrioses profundas que ocupam a região posterior do colo do útero. A endometriose profunda é a forma que está mais relacionada à dor e à infertilidade.

Quando se considera o tratamento clínico?

O tratamento clínico vem após a cirurgia ou, eventualmente, na ausência da indicação de cirurgia, como em casos de inexistência de sinais da doença avançada ou em que os sintomas ainda são controláveis clinicamente. Em geral deve-se esperar melhora dos sintomas de dor relacionados à endometriose e não redução dos focos.

Como é feito o tratamento clínico?

Podem ser feitos com pílulas, adesivos ou anéis vaginais combinados (com estrogênios e progestogênios), pílulas, injetáveis ou dispositivos intrauterinos com progestogênios, medicações que inibem a produção de estrogênio (análogos do GnRH), além de medicações que tratam a dor, como os antiinflamatórios não hormonais.

Quais os possíveis efeitos colaterais?

Se forem medicações que agem de uma forma mais potente na diminuição do nível do hormônio feminino, o estrogênio, um efeito colateral possível são os sintomas semelhantes da menopausa como ondas de calor, irritabilidade e, eventualmente, sinais de depressão. No caso dos progestogênios, podem haver efeitos colaterais como retenção hídrica. Contudo estes efeitos não ocorrem em todos os casos.

Além dos tratamentos clínico, hormonal e cirúrgico, existem outras formas de se tratar a paciente?

Sim. Uma delas é melhorando a qualidade de vida dessa mulher. Nesse sentido, exercícios físicos e psicoterapia acabam sendo ações espetaculares no auxílio à paciente.

De que forma os exercícios físicos ajudam a paciente com endometriose?

Exercícios aeróbicos promovem elevação de endorfina, substância que diminue o estrogênio e evitando, dessa forma, o avanço da enfermidade. Além disso, os exercícios modulam o sistema imunológico da mulher.

Quando há indicação de um procedimento mais radical, como a histerectomia?

Em pacientes que não desejam engravidar, com mais de 40 anos e têm alguma doença uterina associada como miomas ou adenomiose.

A mulher com endometriose tem dificuldade para engravidar?

Pode ter. A dificuldade de engravidar está presente entre 40 a 60% das portadoras de endometriose.

O tratamento para endometriose proporciona maior chance da paciente engravidar?

Sim. Apesar da doença ser um fator importante de infertilidade, o tratamento tem boas chances de sucesso. Obviamente, é preciso partir de um bom diagnóstico, de um bom tratamento da doença e de uma boa abordagem do casal infértil.