21 set Dor Pélvica Crônica

Dor pélvica crônica (DPC) ou algia pélvica crônica refere-se a dores com, pelo menos, seis meses de duração que ocorrem abaixo do umbigo. Causam transtornos funcionais, necessitando, pois, de tratamento.

Representa 10% das consultas ginecológicas e é uma importante indicação de cirurgia diagnóstica ou terapêutica. É responsável por cerca de 20% das histerectomias (cirurgia de remoção parcial ou total do útero) realizadas e, pelo menos, por 40% das indicações de laparoscopias ginecológicas.

Tem prevalência de 4 a 25% entre as mulheres, mas apenas 1/3 destas pacientes procura atendimento médico.

Durante a consulta deve-se:
1) oferecer atendimento e cuidado personalizado;
2) ser enfático e escutar as queixas seriamente;
3) prover explicação para a causa da síndrome dolorosa;
4) mostrar segurança.

As seis principais fontes que contribuem para a DPC são:

  • gastrointestinais (síndrome do intestino irritável; doença inflamatória intestinal; câncer de cólon; constipação crônica; doença celíaca – intolerância intolerância permanente ao glúten, proteína encontrada no trigo, centeio, cevada, aveia e malte);
  • urológicas (cistite intersticial – uma condição tratável mas essencialmente incurável, que se manifesta por dor pélvica crônica e aumento da frequência urinária que ocorre na ausência de qualquer etiologia conhecida; síndrome da bexiga dolorosa; infecção urinária recorrente; divertículo uretral – uma dilatação anormal na uretra; câncer vesical – que é o câncer de bexiga);
  • ginecológicas (endometriose; doença inflamatória pélvica; aderências; síndrome da congestão pélvica; adenomiose – uma endometriose interna, que causa o aumento do útero e sintomas muito parecidos com os do mioma uterino, dos quais o principal é a dor; câncer de ovário; síndrome do ovário residual e remanescente – que é o tecido ovariano deixado após a cirurgia para remover ambos os ovários; leiomioma – os tumores benignos que mais acometem as mulheres; dismenorreia primária – menstruação dolorosa na ausência de lesões nos órgãos pélvicos);
  • psicológicas (somatização – que são os sintomas físicos inexplicáveis; abuso sexual e físico);
  • musculoesqueléticas (fibromialgia – uma dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se manifesta especialmente nos tendões e nas articulações; síndrome do piriforme – inflamação do nervo ciático, quando este passa pelo músculo piriforme; mialgia tensional do assoalho pélvico – que é a dor por tensão na musculatura pélvica; erro postural, dor crônica da parede abdominal, dor miofascial – um distúrbio de dor muscular crônica em um ou mais músculos ou grupos de músculos; osteíte púbica – a inflamação no púbis);
  • neurológicas.

As características devem ser investigadas e deve ser feito o calendário da dor, anotando os fatores associados (menstruação, humor, uso de medicação, função urinária e intestinal; relação sexual e atividades físicas), assim como fazer o seu mapeamento. Sua repercussão nas atividades diárias deve ser quantificada e avaliada.

A anamnese, o exame físico e a avaliação psicológica são os principais componentes da avaliação diagnóstica. São complementados por exames laboratoriais, imagem e avaliação cirúrgica quando indicados.

O sucesso do tratamento é facilitado por uma relação de confiança entre o médico e o paciente. Isso é conseguido através de uma avaliação completa e cuidadosa, valorização da queixa da paciente oferecendo explicações para as mesmas e, por fim, com o comprometimento na tentativa de ajuda. A maioria das pacientes são capazes de entender que não há fórmulas mágicas ou cura imediata.

Para decidir o melhor plano terapêutico, deve-se promover uma discussão entre médico e paciente sobre os valores dos testes diagnósticos, das preferências da paciente, incluindo o desejo reprodutivo e o papel dos tratamentos medicamentosos e cirúrgicos.

Uma estratégia seria a prescrição de terapia medicamentosa sequencial para as prováveis causas da DPC. No entanto, pode-se acrescentar a esta conduta uma investigação diagnóstica intensa, principalmente no que diz respeito a exames de imagem, sabendo que, muitas vezes, uma cirurgia diagnóstica se faz necessária.

Os tratamentos podem se classificados em direcionados ou não direcionados à doença específica.

Apesar de a terapêutica específica parecer ideal, chegar ao correto diagnóstico nem sempre é simples. Ele envolve testes laboratoriais e de imagem especializados e, eventualmente, um procedimento cirúrgico.

Dr. Luiz Flávio Cordeiro Fernandes
CRM 112085