21 set Dor crônica causa prejuízos na qualidade de vida

podendo alterar o sono e o humor

 

Na entrevista abaixo, a anestesiologista, Dra. Fabíola Peixoto Minson (CRM 90398), fala sobre um problema que afeta muitas pessoas, a dor crônica. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 30% da população mundial convive com alguma sensação dolorosa constante. Conheça os sintomas, as formas de tratamento e os riscos para saúde da automedicação.

1 – Quando a dor pode ser considerada crônica?

A dor crônica, diferente da dor aguda, não tem a função de alerta e tem duração superior a três meses. Ela deixa de ser um sintoma e passa a ser a própria doença, causa prejuízos na qualidade de vida podendo alterar o sono e humor.

2 – Quais os tipos de dores crônicas mais comuns? 

As dores lombares, dores de cabeça e dores pélvicas crônicas.

3 – A fibromialgia é um tipo de dor crônica generalizada? Explique.

A fibromialgia é uma doença que causa dores musculares generalizadas, distúrbio de sono e fadiga (cansaço). Ela afeta mais mulheres, na faixa dos 20 aos 40 anos.

4 – Como deve ser feito o controle de dores crônicas?

A dor crônica ou persistente deve ser tratada de forma multi e interdisciplinar, ou seja, com atuação integrada de vários profissionais. A equipe especializada conta com médicos especialistas em tratamento da dor, psicólogos, enfermeiros e fisioterapeutas que atuam com o objetivo de minimizar a intensidade e a frequência das crises buscando melhores condições para a qualidade de vida. A participação ativa do paciente é fundamental nesse processo, com a realização de exercícios físicos na sua rotina diária e melhora da postura nas atividades do dia a dia, como por exemplo, para dormir, usar o computador etc.

5 – Enquanto não se detectam as causas da dor crônica, quais os cuidados para minimizar o sofrimento?

A dor crônica deve ser tratada de forma independente ou em conjunto com a busca da causa da doença. Na maioria das vezes, a causa da dor crônica é encontrada. No entanto, em algumas situações, a dor pode decorrer de um evento inicial que foi resolvido, mas a dor se manteve por vários meses ou anos por um fenômeno chamado sensibilização central (memória de dor).

6 – Existe uma tendência das pessoas demorarem a procurar um especialista e, com isso, exagerarem na automedicação? Se sim, que problemas esse excesso de analgésicos pode ocasionar?

A automedicação é um grande problema no Brasil devido à utilização indiscriminada de anti-inflamatórios de venda livre nas farmácias. O uso excessivo destes medicamentos pode ocasionar problemas no fígado, no estômago e rins, além disso, não tratam adequadamente as dores crônicas.

7 – A dor crônica pode ter fundo psicológico? Explique.

Toda dor crônica é uma experiência física e emocional desagradável. Não existe dor 100% psicológica. O que ocorre de fato, é que a dor leva à depressão e a depressão piora a dor. A dor também gera ansiedade e essa, por sua vez, agrava a dor.

8 – Quando o paciente tem um histórico de dores frequentes, eles correm o risco de imaginar a dor sem que ela exista realmente? Quais são os cuidados nesses casos para se evitar o uso excessivo de remédios?

O longo histórico de dores pode facilitar a ocorrência de outras dores. Isto não é imaginação e sim uma facilitação física por atuação do sistema nervoso central. O tratamento rápido e eficaz de todos os tipos de dores diminui a chance de outras aparecerem.

9 – Existem pessoas mais suscetíveis à dor crônica?

Sim, existem diferenças genéticas, hormonais e ambientais que podem deixar certas pessoas mais suscetíveis a alguns tipos de dor.

10 – Dor crônica tem cura?

Em 50% dos casos, a dor crônica tem cura. Na outra metade podemos controlá-la adequadamente.

11 – Qual o melhor tratamento para dores crônicas?

O melhor tratamento é a combinação de medicamentos analgésicos adequados e prescritos de forma individualizada, combinados com outras atividades como exercícios, acupuntura, massagens, psicoterapia, fisioterapia, variando de caso a caso.

12 – Depois do tratamento, é comum haver reincidência do problema?

Ninguém esta livre da ocorrência de dor, exceto pessoas com deficiência genética raríssima. Desta forma, a reincidência da dor pode ocorrer, mas com menor chance caso o tratamento multidisciplinar tenha sido rápido, eficaz e adequado.