21 set A síndrome metabólica é silenciosa

 e pode estar associada a maior risco cardiovascular

 

Na entrevista abaixo, a endocrinologista, Dra. Sílvia Corral de Arêa Leão Souza (CRM 82333), explica o que é a síndrome metabólica e o tratamento. Fala também que muitas vezes pode não haver sintomas, o que torna a síndrome metabólica uma doença silenciosa e perigosa. Fique alerta!

1 – O que é síndrome metabólica?

A síndrome metabólica é uma situação clínica em que há associação de obesidade a outras condições como pressão alta, alterações do colesterol e/ou triglicérides e alterações da glicemia. Ela geralmente está relacionada com a presença de resistência à insulina e o seu principal problema é o aumento do risco cardiovascular.

2 – Quais os sintomas da doença?

Pode não haver sintomas, porque as alterações que fazem parte da síndrome metabólica são silenciosas. A principal queixa do portador é a obesidade. Mas, em algumas situações, um discreto aumento de peso, com maior concentração de gordura abdominal, pode já se associar aos outros fatores que determinam a doença. Portanto, é sempre importante procurar um médico, em especial em situações de aumento de peso, para que se faça uma avaliação clínica e a solicitação dos exames laboratoriais.

3 – Quais os fatores de risco para que a doença se desenvolva?

Para a maioria das pessoas, o desenvolvimento da síndrome aumenta com o envelhecimento. O risco aumenta se a pessoa tem uma vida sedentária e se tem: aumento do peso, principalmente na região abdominal; histórico de diabetes na família; níveis elevados de gordura no sangue e  pressão alta.

 4 – Existe alguma predisposição genética que leve à síndrome?

Histórico familiar de diabetes, alteração de colesterol ou de triglicérides, pressão alta e obesidade devem levar a um maior cuidado. Além disso, alguns antecedentes pessoais também exigem uma maior atenção, como o antecedente de síndrome dos ovários policísticos ou de diabetes gestacional nas mulheres.

 5 – Como é feito o diagnóstico? 

Para que sejam verificados todos os fatores relacionados à síndrome metabólica, é importante que se faça um exame clínico e devem ser solicitados também alguns exames laboratoriais.

 6 – Em que idade a doença costuma se manifestar e por quê?

Não há uma idade certa, entretanto, há uma maior incidência da doença com o passar da idade. Alguns fatores presentes na síndrome metabólica apresentam maior frequência em idade mais avançada. A menopausa também acaba sendo um fator predisponente, porque costuma a favorecer aumento de gordura visceral e aumento dos níveis de colesterol.

 7 – A doença afeta igualmente homens e mulheres?

Tanto os estudos nacionais como estudos populacionais de outros países não mostram diferença na prevalência de síndrome metabólica entre homens e mulheres.

 8 – A síndrome metabólica é uma doença perigosa? Pode levar à morte?

A síndrome metabólica é grave por estar associada a maior risco cardiovascular. Ela não tem um risco isolado como doença, mas sua presença é um indicador de pessoas que merecem maior atenção quanto ao risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e outros quadros de aterosclerose.

9 – Que outros tipos de doença podem ser decorrentes da síndrome metabólica?

Está bastante associada à presença de esteatose hepática (fígado gorduroso), que pode ser uma causa de cirrose hepática nos casos graves e não tratados. Além disso, a obesidade vem sendo cada vez mais associada a alguns casos de câncer. E a resistência insulínica, presente na síndrome metabólica, pode se relacionar com alguns processos inflamatórios, como a osteoartrite.

 10 – Essa doença está associada à má alimentação? Quais são as recomendações alimentares para quem tem o problema ou para evitar que ele aconteça?

A síndrome metabólica está associada à obesidade e ao sedentarismo. Os cuidados alimentares se relacionam àqueles para evitar o ganho de peso, nos casos de sobrepeso ou obesidade, visando a redução do peso.

11 – Como é o tratamento da síndrome metabólica? 

O tratamento deve ser individualizado, é fundamental que seja adotado um estilo de vida saudável, evitando o fumo, praticando atividade física regularmente e perdendo peso. Em alguns casos, podem ser necessárias medicações. Somente um endocrinologista pode avaliar e orientar o tratamento para cada caso.