21 set A mulher moderna e seus desafios

O ginecologista acompanha a mulher em todas as etapas de sua vida desde a infância, adolescência, fase adulta, menopausa até a terceira idade, tendo a oportunidade de aconselhar sobre as dúvidas e incertezas das mulheres em cada etapa. Saiba mais a respeito dessa duradoura relação nesta entrevista com a Drª Lídia Myung – CRM 119.213.

Atualmente, o que mudou na relação do médico com a paciente?

Antes, a conduta médica dificilmente era questionada. Já nos dias de hoje, o acesso a informação está muito fácil e positiva. Assim, a paciente participa das decisões a respeito do melhor tratamento dentro de suas expectativas.

Quais são as dúvidas da mulher moderna no consultório?

A mulher moderna está envolvida no mercado de trabalho. Junto com as questões do lar, isso gera uma sobrecarga maior física, mental e emocional. As queixas recorrentes são sobre estresse, queda de cabelo, alterações de humor, TPM, diminuição da libido sexual, infertilidade, alterações do padrão menstrual, corrimentos vaginais, obesidade, entre outras situações.

Quais são os problemas ginecológicos que mais afligem as mulheres?

Muitas vezes, a mulher moderna adia a maternidade e se expõe a maior taxa de infertilidade, endometriose e câncer de mama. Também, a liberdade sexual possibilita o aparecimento de doenças sexualmente transmissíveis, como HPV. O estresse do dia a dia pode ser um fator do desregulamento de ciclos menstruais.

Há problemas em suprimir a menstruação?

Não há problemas. Porém, vale lembrar que não há métodos hormonais que garantam 100% de supressão de sangramento.  Muitas vezes a mulher pode apresentar os chamados “escapes”. Pode se indicar a supressão da menstruação em casos em que a paciente apresente menstruação excessiva ou dolorosa como por exemplo, miomas, endometriose, adenomiose, entre outros.

O que a pílula anticoncepcional representa atualmente?

A pílula anticoncepcional abrange muito mais do que liberdade sexual ou a liberdade de escolha do momento de ter filhos. Ela representa tudo o que a mulher conseguiu conquistar nos últimos anos, tanto em expressão, decisão e posição na sociedade.

Há graus de dificuldade para a mulher engravidar conforme sua idade?

Sim. As chances de gravidez na mulher diminuem de acordo com sua idade. Essa queda de fertilidade é mais acentuada após os 30 anos, se torna mais vertiginosa aos 35, e piora ainda mais aos 40, mesmo em casos de reprodução assistida.

Os óvulos envelhecem?

A qualidade dos óvulos, tanto para conseguir engravidar, quanto em questões genéticas, se deteriora conforme a idade. A faixa entre 40 e 45 anos é a mais delicada.

Uma gravidez tardia pode trazer riscos para a saúde da mulher?

Sim, a maior exposição aos hormônios ovarianos, devido à gravidez tardia, aumenta o risco de doenças como endometriose, miomas, câncer de mama e do endométrio.

Há indicação de congelamento de óvulos, e também de esperma, para casais que querem adiar o plano de serem pais?

A medicina reprodutiva nos oferece a possibilidade de congelar os óvulos ou os embriões. É muito importante indicar esse procedimento para casais que vivenciam situações como de câncer, seja na mulher ou no homem, que serão submetidos a tratamento cirúrgico de remoção dos ovários ou a quimioterapia. Hoje em dia temos o chamado “criopreservação” da fertilidade feminina, em que isso é feito quando a mulher não tem perspectivas de ter filhos tão logo, sendo mais indicado fazer até os 35 anos.